A China e a Guerra de Propaganda do COVID-19

Há países em desenvolvimento que buscam ajuda em Pequim para desenvolvimento e infraestrutura econômica. Outros, como a Rússia, sempre gostam quando a China critica os EUA, especialmente o modelo democrático. Há outros países que são pequenos e em posições estratégias frágeis no sistema mundial, que não têm coragem suficiente para criticar abertamente as políticas internas e externas chinesas. No entanto, após o COVID-19, um número surpreendente de países médios e mesmo grandes potências no sistema internacional está vem criticando abertamente o governo chinês. O exemplo mais óbvio é o Estados Unidos. Vários países vêem com o apreensão o tom das críticas do governo Trump e preferirem que os Estados Unidos mantenha um tom mais moderado e lidere uma solução global para a epidemia. Contudo, há uma preocupação considerável sobre a dependência das cadeias de valor global em produtos chineses. Nos Estados Unidos já houve vários pedidos de investigações sobre as possibilidades de romper essa dependência.

O Reino Unido aceitou a oferta da empresa chinesa Huawei para participar do desenvolvimento da rede celular 5G. Todavia, nesse momento a um debate no Parlamento britânico e na mídia pedindo para se reexaminar a participação chinesa, devido a questões de confiança. Debates semelhantes estão acontecendo não só na França e na Alemanha, mas na União Europeia como um todo. Apesar das opiniões estarem divididas, a tendência é desfavorável à China.

Na Ásia, O Japão introduziu uma lei para estimular a re-localização de empresas japonesas produzindo na China com um orçamento de 2 bilhões de dólares. A Coréia e Formosa estão estabelecendo iniciativas semelhantes. O governo da Austrália iniciou investigações independentes sobre as causas do COVID-19. A China respondeu com ameaças de um embargo econômico total. O governo australiano apoiado pela mídia ignorou as ameaças chinesas, ganhando apoio considerável da população. Mais tarde, o próprio presidente chinês Xi Jinping reconheceu que uma investigação é necessária, embora não nesse momento.

Mas e os Estados Unidos? Estão ganhando a guerra de propaganda do COVID-19? Na verdade não. O desempenho do país no combate a epidemia vem sendo duramente criticado nos editoriais os grandes veículos de comunicação e as pesquisas de opinião pública apresentam resultados negativos. Em Washington, diplomatas estrangeiros também vem tecendo críticas contundentes aos Estados Unidos, porém apenas em conversa de bastidores. Ontem, 29 de maio, o presidente Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos Organização Mundial da Saúde. Contudo há questões se ele tem a autoridade necessária para tomar essa decisão. Caso ele resolva seguir com a decisão, o Congresso americano pode processa-lo em uma corte federal. De qualquer maneira, isso afeta negativamente a imagem dos Estados Unidos no sistema internacional e gera instabilidade desnecessária.

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